Estamos nos aproximando do fim do verão. A estação do sol alto, das roupas leves, das férias e das redes sociais lotadas de corpos bronzeados também marca o encerramento de uma narrativa que se repete todos os anos: o famoso “projeto verão”.
Durante meses, muita gente entrou em dietas restritivas, intensificou treinos, cortou alimentos e estabeleceu metas com prazo definido — chegar bem em dezembro. Mas quando março se aproxima, surge uma pergunta incômoda: o que sobra depois que a estação acaba?
A pressão silenciosa
O chamado “corpo de verão” não nasce apenas na academia. Ele é construído por expectativas sociais, padrões estéticos e comparações constantes. As redes sociais ampliam esse cenário, exibindo versões editadas da realidade e reforçando a ideia de que existe um modelo ideal a ser alcançado — e exibido.
O problema não está em querer se cuidar. Está em associar valor pessoal a um padrão temporário.
Quando a busca por saúde vira corrida contra o calendário, o risco é transformar autocuidado em cobrança. E cobrança constante não combina com bem-estar.
Saúde não tem estação
Se o cuidado com o corpo só aparece no verão, talvez ele não esteja sendo encarado como saúde — mas como vitrine.
Alimentação equilibrada, atividade física e descanso adequado são hábitos que precisam dialogar com a rotina real das pessoas. Não com filtros, ângulos ou expectativas irreais.
O fim do verão pode ser uma excelente oportunidade para mudar a perspectiva: sair da lógica da estética sazonal e entrar na lógica do equilíbrio contínuo.
E depois do “projeto”?
Muita gente experimenta frustração ao perceber que não atingiu o resultado idealizado. Outros até alcançam metas, mas não conseguem mantê-las porque eram insustentáveis.
Talvez a reflexão mais honesta seja:
o objetivo era saúde ou validação?
Transformar cuidado em estilo de vida exige metas possíveis, constância e, principalmente, autocompaixão. O corpo muda ao longo do tempo. A rotina muda. As prioridades mudam. E está tudo bem.
Autoestima não é tendência
O outono está chegando. Com ele, temperaturas mais amenas e uma nova fase do ano. Pode ser também o momento de ajustar expectativas.
Em vez de perguntar “estou pronto para o verão?”, talvez a pergunta mais poderosa seja:
“Estou cuidando de mim de um jeito que faz sentido para minha vida?”
Cuidar do corpo não é meta de estação. É compromisso com a própria história.
E histórias bem vividas não dependem do calendário.