A partir desta semana, milhões de cristãos iniciam a Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa e é marcado por oração, jejum, reflexão e caridade. Tradicionalmente vivida como um caminho de preparação espiritual, essa etapa do calendário religioso também pode trazer efeitos positivos para a saúde física e mental.
Mais do que uma prática ritual, a Quaresma propõe uma pausa consciente na rotina. Em um mundo acelerado, onde excesso de informação, consumo e compromissos são constantes, esse tempo convida à desaceleração e ao autoconhecimento.
Oração e saúde emocional
A oração, elemento central da Quaresma, está associada a momentos de silêncio, introspecção e conexão com a fé. Do ponto de vista psicológico, práticas regulares de espiritualidade podem contribuir para a redução do estresse e da ansiedade. O hábito de reservar alguns minutos do dia para reflexão ajuda a organizar pensamentos, diminuir a tensão e fortalecer o equilíbrio emocional.
Estudos na área da saúde mental indicam que pessoas que cultivam práticas espirituais tendem a apresentar maior resiliência diante de dificuldades, além de melhor percepção de propósito e sentido de vida.
Jejum e disciplina
O jejum quaresmal, quando realizado com orientação adequada e respeito às condições individuais, também pode gerar benefícios. A prática estimula disciplina, autocontrole e consciência sobre os próprios hábitos alimentares.
Além do aspecto espiritual — de renúncia e desapego —, períodos moderados de restrição alimentar podem favorecer a organização da rotina alimentar, reduzir excessos e estimular escolhas mais equilibradas. O mais importante é que o jejum seja feito com responsabilidade, sem comprometer a saúde, especialmente para pessoas com condições médicas específicas.
Caridade e bem-estar
Outro pilar da Quaresma é a caridade. Ajudar o próximo, dedicar tempo a ações solidárias ou contribuir com quem precisa produz efeitos que vão além do campo espiritual. Atitudes de generosidade estão associadas ao aumento da sensação de bem-estar e pertencimento social.
Do ponto de vista científico, atos de solidariedade estimulam áreas do cérebro ligadas à recompensa e à satisfação, contribuindo para sentimentos positivos e redução do isolamento.
Um tempo de reorganização interior
A Quaresma também representa uma oportunidade de rever comportamentos. Muitas pessoas escolhem abrir mão de determinados hábitos durante esses 40 dias — como reduzir o consumo de doces, bebidas alcoólicas ou o uso excessivo de redes sociais. Essa revisão pode servir como ponto de partida para mudanças duradouras.
Ao integrar oração, jejum e caridade, o período convida à coerência entre pensamento, atitude e propósito. Essa harmonia impacta diretamente a saúde mental, emocional e, em muitos casos, física.
Corpo e alma em equilíbrio
Independentemente da intensidade com que cada pessoa viva esse tempo, a proposta da Quaresma é clara: cultivar silêncio, disciplina e solidariedade. Em um cenário de rotinas sobrecarregadas, esse convite à reflexão pode ser um verdadeiro exercício de cuidado integral.
Ao fortalecer o espírito, muitas vezes também se fortalece o corpo. E quando mente, emoções e atitudes caminham na mesma direção, os resultados tendem a aparecer de forma mais consistente — dentro e fora.