Bombeiros alertam para acidentes graves durante a colheita do pinhão

 A colheita do pinhão, tradição que movimenta a economia e a cultura do planalto catarinense, tem exigido atenção redobrada por conta dos riscos envolvidos. Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) mostram que, nos últimos anos, a atividade esteve associada a ocorrências graves, como quedas de altura, choques elétricos, desaparecimentos em mata e até mortes.

Somente em 2025, os atendimentos realizados pelas equipes do CBMSC, mais do que dobraram em relação aos anos anteriores, concentrando mais da metade dos registros do período. Entre 2023 e abril de 2026, foram contabilizadas 20 ocorrências: número que, embora não elevado em volume absoluto, chama atenção pela gravidade dos casos e pelo aumento durante a safra mais recente. Ao longo da série histórica, foram 2 ocorrências em 2023, 4 em 2024, 12 em 2025 e 2 até abril de 2026, mês em que teve início a safra.

Cultura de colheita

O pinhão, semente da araucária, integra a rotina e a economia de muitas famílias catarinenses durante a safra. Em várias regiões do planalto, a coleta representa complemento de renda e também faz parte de um costume passado entre gerações. Os atendimentos registrados pelo CBMSC, no entanto, mostram que, quando a colheita é feita sem os devidos cuidados, o que deveria ser uma atividade sazonal pode rapidamente se transformar em ocorrência de resgate, trauma grave ou até morte.

Quando a colheita vira ocorrência de resgate

Mais do que o volume de casos, chama atenção a gravidade das ocorrências. Pelo menos três atendimentos terminaram em óbito. Em maio de 2023, no município de Campos Novos, um homem foi encontrado morto, suspenso por uma corda em uma araucária enquanto colhia pinhão. Em 2024, não houve registro de morte. Já em 2025, foram contabilizados dois óbitos: em Anita Garibaldi, um idoso de 82 anos morreu após cair da árvore durante a colheita; em São Joaquim, um homem de 49 anos morreu depois de sofrer uma descarga elétrica ao encostar uma haste em um fio de alta tensão.

Os registros levantados também mostram que a queda da araucária segue como o risco mais recorrente e mais grave entre as ocorrências atendidas pelo CBMSC. Há vítimas que caíram de 4, 5 e até 9 metros de altura, como nos casos atendidos em Papanduva, Correia Pinto e Painel. Em alguns atendimentos, além de lesões, fraturas e luxações, foi necessária a retirada das vítimas em áreas de difícil acesso pelas equipes de bombeiros militares.

Mas os acidentes não se resumem às quedas. Em Lages, um homem sofreu choque elétrico e queimaduras de 1º e 2º graus em várias partes do corpo após encostar na rede de alta tensão durante a coleta. Em Urubici, outra vítima também sofreu choque e queda após a vara utilizada atingir a rede elétrica. Já em Painel, em abril de 2026, um adolescente de 16 anos sofreu descarga elétrica enquanto manuseava um cano de alumínio próximo à fiação. Ele ficou inconsciente, teve cerca de 20% da superfície corporal queimada e precisou ser resgatado a aproximadamente 20 metros de altura.



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