A Prefeitura de São Bento do Sul divulgou em uma coletiva de imprensa, nessa quinta-feira (9), um levantamento detalhando o impacto financeiro de ações judiciais e dívidas herdadas de administrações anteriores, que devem comprometer parte significativa do orçamento municipal em 2026. Os números chamam atenção pelo volume e ajudam a explicar por que novos investimentos previstos para o município precisarão ser adiados.
Processos de servidores
Um dos principais pontos de preocupação envolve as ações judiciais movidas por servidores públicos contra o município, grande parte delas relacionadas à categoria dos professores. Atualmente, são mais de 580 ações em andamento, envolvendo temas como regência de classe, hora-atividade, piso salarial, desvio de função de atendentes e pagamento de adicional sobre férias. Conforme relatório emitido em abril de 2026, o valor total dessas ações chega a R$ 21.581.876,14. Desse montante, a prefeitura já quitou R$ 3.928.608,53, mas ainda restam R$ 17.653.267,61 a serem pagos.
Esgoto
Outro passivo considerado “astronômico” pela administração municipal é a dívida com a construtora Andrade Gutierrez, originada em 2008, relacionada a obras de esgotamento sanitário realizadas no município e que não teriam sido devidamente quitadas por gestões anteriores. O débito total é de R$ 48 milhões, sendo que somente em 2026 a prefeitura precisará desembolsar R$ 9 milhões para cumprir o cronograma de pagamento. Além disso, o município também precisará quitar uma pendência de R$ 6 milhões referente ao PASEP, dívida existente desde 2017 e programada para pagamento neste ano.
Em andamento
Apesar do cenário desafiador, a prefeitura destacou que o equilíbrio fiscal construído nos últimos cinco anos permitirá que os compromissos sejam honrados sem paralisar obras que já estão em andamento na cidade. Entre elas estão o Centro de Especialidades Médicas, obras na Avenida São Bento, Rua Mathias Nossol, Ecoparque Samae, postos de saúde nos bairros Vila União e 25 de Julho, capela mortuária em Serra Alta e projetos habitacionais que somam mais de 120 unidades previstas.
Cinto apertado
Por outro lado, o impacto financeiro impedirá o avanço de novos projetos que estavam no planejamento de 2026. Entre os investimentos que não deverão sair do papel estão o Parque da Promosul, laboratório de análises clínicas, posto de saúde no Alpestre, além de 46 projetos de pavimentação já prontos e obras de recapeamento viário estimadas em cerca de R$ 3 milhões.
Gestões ineficientes
A situação expõe um alerta importante sobre os efeitos de decisões administrativas tomadas sem responsabilidade ao longo dos anos. Contas ignoradas, passivos acumulados e falhas de gestão não desaparecem com a troca de governos — elas chegam, inevitavelmente, ao contribuinte. E, neste caso, o preço do passado está sendo pago agora com menos capacidade de investimento no presente. Como diz o velho ditado da administração pública: a conta sempre chega e, às vezes, com juros dignos de manchete.
O que diz o prefeito
Segundo o prefeito Antonio Tomazini, o objetivo da coletiva foi garantir transparência à população sobre a realidade financeira do município, demonstrando os desafios enfrentados pela administração e as medidas adotadas para manter o equilíbrio das contas públicas sem comprometer serviços essenciais e investimentos importantes para a cidade.