Operação do GAECO provoca forte impacto político no Planalto Norte e atinge pré-candidatos

A Operação Pão e Circo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) na terça-feira (7), provocou um dos maiores abalos políticos recentes em Santa Catarina ao investigar um suposto esquema de fraude em licitações para contratação de artistas de renome nacional em eventos promovidos por prefeituras. A investigação apura possíveis crimes como cartel, direcionamento de licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e manipulação de preços.

Além do cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em bens dos investigados, medidas cautelares contra diversos envolvidos, o afastamento de um prefeito em exercício e a prisão preventiva do empresário José Clemir Spinelli, proprietário da Spinelli Produções.

Reflexos diretos no Planalto Norte

A operação teve forte repercussão política no Planalto Norte catarinense, região onde foram cumpridos mandados e que reúne alguns dos principais nomes atingidos pela investigação.

Em Canoinhas, a ex-prefeita Juliana Maciel, que vinha sendo apontada como pré-candidata à Assembleia Legislativa em 2026, comentou que a ação em sua cidade não mirou contratos de sua gestão, mas sim, de período anterior. Até o momento, a investigação segue em andamento e não há condenação judicial.

Em Mafra, outro nome de destaque é o do ex-prefeito Emerson Maahs, pré-candidato a deputado estadual pelo MDB. A inclusão de seu nome entre os alvos da investigação também amplia a repercussão política da operação na região e pode alterar o cenário eleitoral do Planalto Norte nos próximos meses. O MPSC pediu a prisão dele, negada pela Justiça.

Outro personagem central é o empresário José Clemir Spinelli, conhecido pela atuação na produção de grandes eventos municipais em Santa Catarina. Proprietário da Spinelli Produções, ele foi preso preventivamente por determinação da Justiça. Segundo o Ministério Público, o empresário seria um dos principais articuladores do suposto esquema investigado, que teria atuado durante anos na contratação de shows nacionais por diversas administrações municipais. Até o momento da divulgação da operação, sua defesa não havia se manifestado publicamente.

Investigação continua

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, o suposto esquema consistia em definir previamente quais artistas seriam contratados antes mesmo da abertura das licitações, eliminando a concorrência entre empresas, manipulando preços e, conforme a investigação, utilizando pagamento de propinas e mecanismos de lavagem de dinheiro para ocultar os recursos obtidos de forma ilícita.

As investigações prosseguem sob sigilo parcial e novas diligências não estão descartadas. O material apreendido será analisado pelo GAECO para verificar o eventual envolvimento de outros agentes públicos, empresários e empresas ligadas ao mercado de eventos.

A Operação Pão e Circo já é considerada uma das maiores ofensivas do Ministério Público catarinense contra supostas irregularidades na contratação de shows públicos e deve produzir desdobramentos jurídicos e políticos importantes ao longo dos próximos meses, especialmente em um período que antecede as eleições estaduais de 2026.



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