Após pressão popular e política, governo restabelece classificação livre para desenhos bíblicos

O Ministério da Justiça e Segurança Pública voltou atrás e restabeleceu a classificação livre do programa Record Kids – Desenhos Bíblicos, exibido pela TV Record. A decisão foi anunciada na terça-feira (3), poucos dias depois de a atração passar a ser considerada não recomendada para menores de 12 anos.

A mudança ocorreu em meio à forte reação de diferentes setores da sociedade. Parlamentares da oposição contestaram os critérios adotados, lideranças religiosas criticaram a classificação e o tema ganhou repercussão nas redes sociais. Também foi apresentada uma ação popular na Justiça Federal para suspender a medida. Na Câmara dos Deputados, parlamentares protocolaram projetos para sustar os efeitos da portaria. 

Entre os parlamentares que se manifestaram estavam Nikolas Ferreira (PL-MG), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF). Eles questionaram a avaliação e defenderam explicações sobre os critérios usados pelo Ministério da Justiça. A reação também chegou à Assembleia Legislativa de Santa Catarina, onde o deputado Maurício Peixer (PL) também cobrou uma revisão do caso pelo Governo Federal: "Precisamos de respostas", afirmou em suas redes sociais Peixer. 

Ao anunciar a revisão, o próprio ministério reconheceu que a análise inicial não havia aplicado integralmente a metodologia do Guia Prático de Classificação Indicativa. Segundo a pasta, a avaliação não considerou de forma completa o contexto cultural e religioso das histórias nem os fatores de atenuação previstos para animações com estética infantil e violência fantasiosa. Com a nova decisão, os desenhos voltaram à classificação livre. 

A pressão pública e política marcou o contexto da revisão, embora o governo tenha apresentado como justificativa formal a falha metodológica identificada na avaliação anterior. O ministério informou que a reclassificação foi revista por iniciativa própria, no exercício de sua atribuição administrativa.

O caso reacendeu o debate sobre os critérios de classificação indicativa e sobre o tratamento dado a conteúdos ligados à religião. A decisão final restabelece a classificação livre para as animações bíblicas exibidas pela Record.



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