Os combustíveis começaram 2026 mais caros em todo o Brasil após a elevação da alíquota do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha, medida definida pelos estados e pelo Distrito Federal. A partir de janeiro, a cobrança passou a ser de R$ 1,57 por litro de gasolina, R$ 1,17 por litro de diesel e R$ 1,47 por quilo do gás de cozinha, o que representa aumentos de R$ 0,10, R$ 0,05 e R$ 0,08, respectivamente.
Embora os reajustes pareçam pontuais na bomba, o impacto real vai muito além do abastecimento dos veículos. O aumento dos impostos sobre combustíveis pressiona diretamente os custos de produção, transporte e comercialização de produtos em praticamente todos os setores da economia. Do agronegócio à indústria, do comércio ao setor de serviços, a conta chega rápido e ninguém fica fora dessa escalada de custos.
Segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), a elevação segue a legislação que instituiu um valor fixo de ICMS por litro ou quilo, com atualização anual. Ainda assim, o próprio colegiado reconhece que o modelo tem provocado distorções, especialmente em um cenário de inflação persistente e custos elevados. De acordo com o Comsefaz, no primeiro ano de vigência da nova lei, as perdas de arrecadação ultrapassaram R$ 100 bilhões, além de haver críticas à limitação da autonomia dos estados.
Na prática, o aumento da carga tributária sobre combustíveis funciona como um efeito dominó: encarece o frete, pressiona o preço dos insumos, reduz margens de empresas e acaba sendo incorporado ao valor final dos produtos. O resultado é um ambiente de negócios mais oneroso, menor competitividade e menos espaço para investimentos e geração de empregos. Em linguagem real: o custo sobe, o risco aumenta e o consumidor vira o atingido involuntário da operação.
“Na ponta”, o impacto é direto no bolso da população. O consumidor final absorve o ônus pagando mais caro por alimentos, produtos essenciais e serviços, em um momento em que o orçamento das famílias já opera no limite. No fim das contas, o aumento de impostos sobre combustíveis não fica restrito ao tanque, ele se espalha por toda a economia. Estratégia fiscal mal calibrada, resultado previsível.