A tentativa de acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, avançou nos últimos dias, mas ainda enfrenta resistência por parte da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com informações divulgadas nesta terça-feira (5), a defesa do empresário apresentou novos anexos em um pen drive para uma nova análise das autoridades, após a proposta inicial ter sido considerada insuficiente.
A primeira versão da delação, apresentada há cerca de duas semanas, foi rejeitada por não trazer fatos inéditos em relação ao que já havia sido revelado durante a Operação Compliance Zero, investigação que resultou na primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.
Vorcaro foi preso preventivamente pela segunda vez no dia 4 de março de 2026, durante a terceira fase da operação, que apura a venda de carteiras de crédito supostamente fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).
Segundo as investigações, o Banco Master teria criado carteiras de crédito sem lastro e estruturado um esquema de pagamento de propinas envolvendo autoridades dos três Poderes. Investigadores também apontam que o banqueiro estaria omitindo nomes considerados relevantes, que já teriam sido identificados em perícias realizadas em aparelhos eletrônicos apreendidos.
Ao todo, a Polícia Federal recolheu oito aparelhos eletrônicos durante a operação. O principal dispositivo analisado contém cerca de 400 GB de dados e aproximadamente 8 mil vídeos.
O material está sendo periciado por equipes especializadas em Brasília, São Paulo e Minas Gerais, com reforço de pessoal diante do grande volume de informações.
Outros investigados no caso também avaliam firmar acordos de colaboração, entre eles o pastor Fabiano Zettel, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o empresário João Carlos Mansur. A possível delação de Costa, preso em abril, teria acelerado as negociações.
O conteúdo entregue recentemente pela defesa de Vorcaro ainda será analisado para verificar se há provas novas e relevantes. O material só poderá ser utilizado após a formalização oficial do acordo.
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), já foi informado sobre os desdobramentos.
Enquanto isso, o prazo das investigações foi prorrogado por mais 60 dias, e a PF não descarta novas fases da operação.
No tabuleiro político e financeiro de Brasília, o caso segue escalando — e pelo volume de dados apreendidos, esse roteiro ainda promete novos capítulos.